Apenas 16% dos brasileiros pouparam dinheiro em abril, mostra indicador do SPC Brasil e CNDL

60% dos poupadores ainda recorrem à velha caderneta de poupança e somente 7% aplicam em previdência privada. Imprevistos e necessidade de complementar renda são principais motivos para os 40% que tiveram de sacar recursos em abril


25/06/2018 13h25

Os indicadores econômicos mostram que a recessão ficou para trás, mas os consumidores ainda sentem dificuldades financeiras no dia a dia. Exemplo disso, é que muitos não estão conseguindo chegar ao fim do mês com sobras de recursos. Dados apurados pelo Indicador de Reserva Financeira do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que no último mês de abril, apenas 16% dos brasileiros conseguiram poupar parte da renda, incluindo salários, pensões, entre outros rendimentos. O dado é numericamente inferior ao observado em março, que estava em 20%. No geral, 72% dos consumidores brasileiros não foram capazes de guardar alguma quantia em abril.

Para os consumidores que não guardaram recursos no período analisado, a principal justificativa é a baixa renda, razão dada por pouco mais de um terço (36%) dos entrevistados. Em seguida, aparecem os imprevistos, lembrados por 20%. A falta de disciplina (17%) e a falta de renda no momento (16%) completam a lista dos principais empecilhos. Quando a análise se restringe às classes sociais, as diferenças são elevadas: entre as classes A e B, o percentual de poupadores chega a 33%, ao passo que cai para apenas 11%, quando considerados os brasileiros das classes C, D e E.

Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, os efeitos da crise impõem restrições a vida financeira do brasileiro, mas isso não explica tudo. “Quem tem mais baixa renda, tem também uma margem menor para manobrar seus recursos, mas a formação de reserva não requer, necessariamente, valores altos. O que faz diferença no fim do mês é frequência e a disciplina em guardar recursos”, analisa a economista.

40% dos poupadores tiveram de sacar parte de seus recursos em abril, principalmente para imprevistos e complementar renda

Segundo o indicador, o principal propósito para aqueles que têm como hábito poupar, é a proteção contra imprevistos, mencionada por metade da amostra (50%). Em seguida, aparece a intenção de garantir um futuro melhor para a família (28%), prevenir-se em caso de desemprego (26%) e a realização de uma viagem (18%). Já a aposentadoria, que deve ser prioridade como um planejamento de longo prazo, foi lembrada por apenas 16% desses poupadores.

Outro dado que o levantamento mostra é que 40% dos brasileiros que possuem reserva financeira tiveram de sacar ao menos parte desses recursos no último mês de abril, sendo que para 12% a necessidade foi lidar com uma situação de imprevisto, 7% para complementar a renda e outros 7% para realizar uma compra. “Os poupadores devem ter distintas reservas. Uma para imprevistos, em que ele consiga resgatar esse montante a qualquer momento. E outras específicas para cada objetivo, como realizar um sonho de consumo e também para a aposentadoria. Nesses dois últimos casos, é necessária disciplina para não desvirtuar a sua finalidade e sacar dinheiro antes de atingir a meta”, alerta o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli.

60% ainda recorrem à velha caderneta de poupança; Apenas 7% contam com previdência privada

O levantamento descobriu que mesmo entre os poupadores, há falta de conhecimento sobre opções mais rentáveis de investimento. A maioria (60%) desses entrevistados recorre a velha caderneta de poupança para guardar seus recursos. Outros 19% deixam o dinheiro guardado na própria casa, opção pouco segura e que não gera rendimentos ao poupador. A conta corrente, que também não é uma opção recomendada de investimento, é utilizada por 16% dos entrevistados.

As modalidades mais sofisticadas e que podem proporcionar melhores rendimentos foram lembradas por uma pequena parcela desses consumidores. Os fundos de investimento, por exemplo, foram citados por 10% como opção que eles, efetivamente, utilizam e a previdência privada, por 7%. Em seguida, apareceram os CDBs (6%), o Tesouro Direto (4%), as ações na bolsa de valores (3%), as LCIs e LCAs (3%) e o Dólar (2%).

Para os poupadores que fazem as opções mais conservadoras e menos rentáveis de manter o dinheiro em casa, na conta corrente ou mesmo na poupança, a principal razão foi a preferência por ter o dinheiro disponível em um lugar fácil de retirar (37%). Além desses, um quarto (25%) julgam não ter dinheiro suficiente para investir em outras modalidades e 25% alegam não ter conhecimento suficiente para tentar outras modalidades.

Sobre o conhecimento das modalidades existentes no mercado de investimentos, a poupança lidera com folga como a mais conhecida: 83% dos entrevistados já ouviram falar a seu respeito. Em segundo lugar aparece o título de capitalização, citado por 45% e, logo depois, a previdência privada (42%) e as ações em bolsa (38%). Os fundos de investimentos são conhecidos por apenas 33%.

“Mesmo entre os mais disciplinados que poupam, a inércia pode fazer com que o consumidor fique preso a investimentos menos rentáveis. Para quem tem perfil conservador, existem outras alternativas além da poupança. A dica é que o consumidor entre aos poucos no mundo dos investimentos e investigue outras modalidades que são igualmente seguras como a poupança, mas que rendem taxas de juros um pouco mais elevadas, como títulos do tesouro, fundos de investimentos e CDBs, por exemplo”, explica a economista Marcela Kawauti.

Metodologia

O objetivo da sondagem é acompanhar, mês a mês, a formação de reserva financeira do brasileiro, destacando a quantidade daqueles que tiveram condições de poupar ao longo dos meses. O indicador abrange 12 capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais. A amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%.

Fonte: SPC Brasil


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