Censo da Abrasce mostra que a presença de shoppings no interior do País cresceu 29% entre 2015 e 2025
27/04/2026 09h49
Os shoppings hoje são muito mais do que apenas centros de compras: são espaços de entretenimento e serviços que vêm ultrapassando os limites das grandes capitais e crescendo nas cidades do interior do Brasil. Mas essa tendência não é nova. Em 2015, os empreendimentos já estavam presentes em 196 municípios, número que subiu para 226 em 2020 e atingiu 253 cidades em 2025, representando uma expansão territorial de 29% em dez anos, de acordo com o Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025-2026, elaborado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
O interior hoje é uma das principais frentes de expansão do setor, de acordo com Francisco Ritondaro, especialista em shoppings, outlets e varejo. Ele conta que mais da metade dos shoppings brasileiros já está fora das capitais, e a nova rodada de crescimento prevista para 2026 reforça esse movimento.
“A lista de inaugurações previstas mostra projetos em cidades como Lavras, Lagarto, Atibaia, Luís Eduardo Magalhães, Londrina, Marília e Uberlândia, evidenciando que a expansão está cada vez mais ligada a polos regionais e cidades médias, e não apenas às grandes metrópoles. Isso é relevante porque o interior oferece duas coisas ao mesmo tempo: mercado consumidor em amadurecimento e menor saturação competitiva”, explica Ritondaro.
Entre as regiões com maior quantidade de shoppings em cidades do interior, o Sudeste lidera, respondendo por 57% do faturamento do setor. Um grande exemplo na região é o Shopping Parque Dom Pedro, localizado em Campinas (SP), administrado pela Allos, que também conta com empreendimentos nas cinco regiões do País, com um portfólio de 51 ativos, sendo cinco deles no interior.
No caso do Parque Dom Pedro, o empreendimento foi o primeiro da Allos a receber uma unidade da H&M do portfólio da companhia, sendo também a primeira no interior e a única com a categoria Home. Segundo Renato Floh, diretor comercial da Allos, a estratégia de fortalecimento de shoppings dominantes no interior reduz a necessidade de deslocamento para capitais, ao oferecer marcas premium, operações internacionais e experiências completas de lazer e serviços.
“Ao elevar a qualidade do mix e investir em projetos de redesenvolvimento, esses ativos passam a se consolidar como destinos principais de consumo em suas regiões, ampliando o tempo de permanência e a recorrência de visitas. Esse movimento contribui para consolidar o interior como um polo cada vez mais autossuficiente de varejo qualificado”, diz.
Apesar de a maior quantidade de shoppings no interior estar presente no Sudeste, a região Nordeste se destaca pela maior produtividade, com faturamento médio por shopping de R$ 350,4 milhões, acima da média nacional de R$ 305,3 milhões, segundo o Censo da Abrasce.
O Grupo AD está presente na região com dois shoppings, um na capital maranhense, São Luís, e outro em Camaragibe, no interior de Pernambuco: o Camará Shopping.
O Camará Shopping conta com quase 200 operações, sendo dez âncoras, seis salas de cinema, parque infantil e praça de alimentação, distribuídos em mais de 61 mil m² e 26 mil m² de área bruta locável (ABL).
“O interior é hoje um dos principais vetores de crescimento do setor. Com mercados ainda em expansão e menor saturação em comparação às capitais, essas regiões oferecem oportunidades relevantes para novos empreendimentos e para a expansão dos existentes. São regiões muito importantes para serem exploradas ainda”, afirma Helcio Póvoa, CEO do Grupo AD.
Além do Nordeste, o Grupo AD também tem forte presença no Sul e Sudeste, com atuação relevante nas cidades do interior do Rio Grande do Sul, no interior e capital de São Paulo, além de Rio de Janeiro e Minas Gerais.
“Os shoppings no interior assumem hoje um papel estruturante nas economias locais. Eles funcionam como âncoras de desenvolvimento, gerando empregos diretos e indiretos, estimulando cadeias produtivas e fortalecendo o comércio regional. Além disso, contribuem de forma significativa para a arrecadação municipal, seja por meio de tributos ou pela dinâmica de serviços no entorno”, explica Póvoa.
Francisco Ritondaro explica que isso acontece porque é no interior que ainda existe espaço real para crescimento com relevância econômica. Segundo ele, nas capitais, o mercado é mais maduro, mais competitivo e mais caro em termos de implantação.
Já no interior, há cidades com renda em expansão, centralidade regional, consumo reprimido e carência de uma oferta organizada de compras, lazer e serviços.
“É por isso que a interiorização deixou de ser uma aposta pontual e passou a ser uma estratégia estrutural do setor”, acrescenta.
O executivo afirma que esses shoppings também vêm acompanhando as mudanças no comportamento dos consumidores, assim como os empreendimentos presentes nas capitais, onde o consumidor passou a usar o shopping menos como simples destino de compras e mais como um lugar para resolver a vida.
“Nos shoppings do interior, esse ajuste costuma vir acompanhado de uma combinação muito importante entre marcas nacionais, operadores regionais, lojistas locais fortes e serviços aderentes à rotina da cidade. Em resumo, temos um mix de segmentos de lojas similar ao dos grandes centros, mas muitas das grandes marcas que estão nas capitais com lojas próprias estão presentes no interior por meio de lojas multimarcas com empreendedores locais”, diz.
Fonte: Mercado e Consumo.